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Bastidores da prisão de Lula em Curitiba são revelados em livro de agente da PF

Por Redação •

O agente Jorge Chastalo Filho lançou o livro Banho de sol, obra que detalha os 580 dias em que Luiz Inácio Lula da Silva esteve preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Iniciada em abril de 2018, a custódia foi marcada por vigilância constante, conversas sobre o cenário político nacional e episódios de tensão, como manifestações hostis registradas durante o transporte do petista.

Como foi a chegada de Lula à cela e quais eram as condições do local?

Ao ingressar nas instalações da Polícia Federal em Curitiba, Lula estava em silêncio e visivelmente abatido. O espaço reservado para sua custódia era simples e limitado, equipado com uma cama de solteiro, uma mesa quadrada de alumínio, uma cadeira e um armário antigo. A cela possuía duas janelas, mas a segurança era reforçada por grades e correntes que permitiam uma abertura de apenas dez centímetros. Jorge Chastalo Filho relata que, até o momento da execução, muitos policiais envolvidos no planejamento da operação ainda duvidavam que a prisão do ex-presidente realmente ocorreria.

Quais foram as principais preocupações com a segurança do ex-presidente?

A segurança ia muito além das grades da cela. Durante o voo de helicóptero até a sede da PF, frequências de rádio captaram ofensas pesadas e ataques verbais contra o político, o que exigiu intervenção do piloto e do controle de tráfego aéreo. Outro ponto crítico era a alimentação. Por receio de que alguém pudesse tentar envenenar a comida fornecida pela instituição, o agente Jorge Chastalo Filho decidiu, logo no segundo dia, encomendar refeições em um restaurante da região. O cuidado não era uma crítica à qualidade da comida da PF, mas uma medida preventiva para garantir a integridade física de Lula.

Como era a convivência diária entre o agente e o custodiado?

A longa permanência na Superintendência acabou criando um laço de proximidade e respeito mútuo. Lula passou a tratar o policial pelo apelido de querido e frequentemente fazia brincadeiras sobre o seu cabelo. O livro destaca que os diálogos entre os dois eram constantes, porém focados quase que exclusivamente em temas políticos e nos desdobramentos da Operação Lava Jato. O autor menciona que, apesar da convivência estreita, guardou poucas confissões pessoais, pois o interesse de Lula estava voltado para o debate sobre o país, o que preenchia as horas de isolamento em que não recebia visitas.