Deputada estadual eleita com o maior número de votos proporcionais no país, Ana Campagnolo (PL) deve assumir a presidência da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) em 2028. A previsão faz parte de um acordo firmado com o governador Jorginho Mello (PL) que, segundo apuração da Gazeta do Povo, reuniu-se com os parlamentares eleitos para consolidar a base governista para o segundo mandato no estado.
Com Campagnolo no papel de “puxadora de votos” — a deputada estadual foi reeleita com a votação expressiva de 387.523 votos, o equivalente a 9,04% dos votos válidos — o PL fez 16 cadeiras na próxima legislatura da Alesc. O governador catarinense conta ainda com apoio de seis eleitos pelo Novo, Podemos e Republicanos, partidos integrantes da coligação que reelegeu Mello.
Com 22 nomes, o chefe do Executivo catarinense tem a maioria da Casa, formada por 40 parlamentares. Conforme um interlocutor do PL ouvido pela Gazeta do Povo, a sigla não deve abrir mão da presidência do Legislativo em decorrência do resultado obtido nas urnas, mas manterá uma tradição da Alesc: a divisão do comando da Casa por três presidentes nos quatro anos de legislatura, apesar do mandato de dois anos.
Camilo Martins é o candidato do grupo governista para a presidência da Alesc
O ex-prefeito de Palhoça Camilo Martins (PL), reeleito com 63.933 votos, será o candidato do grupo governista para presidir a Alesc a partir de fevereiro — tradicionalmente a disputa tem apenas uma chapa.
Assim, a tendência é que Campagnolo assuma o comando da Casa após a renúncia de Martins durante o ano de 2028. Se confirmada, ela vai repetir o feito da petista Ana Paula Lima, primeira mulher a presidir a Assembleia Legislativa catarinense, entre 2007 e 2008.
Ana Campagnolo ainda poderá concorrer à reeleição para o biênio seguinte (2029-2030). Outro nome cotado para comandar a Alesc era o do deputado Fernando Krelling (MDB), mas ele perdeu força por causa da conjuntura política que afastou o MDB do governador Jorginho Mello.
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Recorde de Campagnolo tem base política, redes socias e apoio de Nikolas Ferreira
Nas eleições 2026, Ana Campagnolo bateu o próprio recorde de votos, conquistando 387.523 votos. Quatro anos antes, ela já havia sido a candidata mais votada do estado, com 196.571 votos.
Em entrevista à Gazeta do Povo, a deputada estadual recordista de votos em Santa Catarina afirmou que se considera uma “influenciadora política”. Ela tem 2,7 milhões de seguidores no Instagram e afirmou que o sucesso nas redes sociais é uma consequência da atuação na política.
“Essas duas frentes cresceram juntas. As redes sociais são reflexo do trabalho político, militante e cultural. São seis livros publicados, oito anos no parlamento e isso se reflete nos bons resultados das redes sociais, não o inverso, como é esperado em muitos casos”, comenta Campagnolo.
Para a parlamentar, a base política estadual é fundamental para o sucesso nas urnas. Ela conta que tem o apoio de aproximadamente 80 vereadores e parcerias com prefeitos, além de militantes e articuladores políticos em administrações municipais pelo estado.
“Isso é uma construção de seis anos de trabalho, viajando muito por todo o estado e construindo alianças. Uma mão lava a outra, oferecendo para os nossos vereadores aparato jurídico, sugestões nos projetos de lei, emendas parlamentares que chegam nas cidades para associações e entidades que apoiam esses vereadores”, afirma a deputada do PL.
Questionada sobre a contribuição do deputado federal mineiro Nikolas Ferreira (PL) na campanha catarinense, Campagnolo respondeu que ficou honrada com o apoio do aliado, que ela considera como o “futuro da direita”. “Essa parceria não é determinante para perder ou vencer uma eleição. A parceria é resultado de duas pessoas que, antes da política, são amigas, com os mesmos valores e princípios. O que trouxe ele para a campanha foi a comunhão de valores”.



