O ex-presidente paraguaio e atual líder do conservador Partido Colorado, Horacio Cartes, divulgou nesta quinta-feira (5) uma carta na qual a sigla manifestou apoio ao impeachment do presidente Santiago Peña, integrante da legenda, devido a um escândalo envolvendo um banco sob intervenção.“Como presidente da Associação Nacional Republicana [nome oficial do partido], não compactuaremos com o desvio de fundos públicos, privados e dos aposentados; devemos pensar nas pessoas e nos valores que defendemos no Partido Colorado”, escreveu Cartes na missiva, divulgada nas redes sociais.“Apoiamos o processo de impeachment do presidente da República, Santiago Peña, com o objetivo de restaurar a institucionalidade da República. A bandeira colorada representa uma história de serviço ao país: honrá-la significa também agir com coragem quando a pátria exige”, acrescentou o ex-presidente.Segundo informações do jornal paraguaio ABC, Cartes está se reunindo nesta manhã com o vice-presidente do país, Pedro Alliana, para planejar a sucessão presidencial diante de uma eventual renúncia ou da abertura de um processo de impeachment contra Peña.A Câmara dos Deputados vai discutir nesta quinta-feira pedidos para abertura de processos de impedimento contra o presidente e o próprio Alliana. Em caso de vacância nos dois cargos, caberá ao Senado eleger um parlamentar da própria casa para ocupar a cadeira presidencial.O Banco Central do Paraguai (BCP) ordenou no início da semana um processo de resolução ou fechamento do Ueno Bank, um banco com 2,9 milhões de clientes em um país de 6,1 milhões de habitantes, após detectar que seu índice de solvência havia caído para abaixo da metade do mínimo exigido.A crise colocou o governo Peña sob pressão porque o presidente paraguaio foi sócio do Grupo Vázquez, conglomerado empresarial que controla o Ueno Bank, até março de 2025, quando já era presidente.Além disso, o ex-presidente do BCP Carlos Carvallo, que renunciou esta semana, foi diretor da Financiera Ueno, que deu origem ao banco agora sob intervenção.Segundo o artigo 225 da Constituição paraguaia, é necessária uma maioria de dois terços na Câmara para que o processo de impeachment seja enviado para o Senado, que atua como órgão julgador.No Senado, exige-se uma maioria qualificada de dois terços para declarar o acusado culpado, o que abriria caminho para sua destituição do cargo.
Partido de Peña apoia impeachment do presidente paraguaio


