A calagem é uma prática fundamental para corrigir a acidez do solo, elevar os teores de cálcio e magnésio e melhorar as condições para o desenvolvimento das plantas. Mas saber o momento adequado para realizar a aplicação e a quantidade necessária exige atenção. Esse foi o tema do episódio do Hora Técnica, quadro do podcast Apro360, da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), exibido nesta quinta-feira (05.11).
O convidado foi o coordenador de pesquisa do Centro Tecnológico (CTECNO) Araguaia, André Somavilla, que explicou quais condições indicam a necessidade de uma nova aplicação de calcário.
“A calagem de manutenção precisa ser realizada quando há presença de alumínio tóxico, ou quando os teores de cálcio e magnésio estão baixos. Outro indicador é a saturação por bases reduzidas, que está diretamente relacionada aos teores de cálcio e magnésio, já que eles são a base do cálculo desse índice. Quando esses níveis estão abaixo do esperado, é preciso realizar uma nova calagem. Por isso, é muito difícil estabelecer uma regra fixa. Existem algumas orientações gerais, como realizar a calagem a cada dois ou três anos, mas uma coisa é certa: não precisamos aplicar calcário todos os anos em quantidades elevadas”, afirmou.
Somavilla também apresentou resultados de experimentos realizados no CTECNO Araguaia que ajudam a compreender o intervalo entre as aplicações. E ressalta que nas propriedades rurais, é necessário adotar critérios mais seguros para definir o manejo.
“Temos certa flexibilidade, porque o solo consegue suportar esse intervalo. Nos ensaios realizados no CTECNO Araguaia, por exemplo, temos áreas que ficaram quatro ou cinco anos sem receber calcário e não apresentaram perdas de produtividade. É claro que, na prática, o produtor não vai deixar de fazer a aplicação por tanto tempo. Para identificar em que momento a ausência de calcário começa a prejudicar a produtividade, precisamos ter uma parcela de controle. Na pesquisa, conseguimos fazer esse acompanhamento, mas, no campo, essa avaliação é mais difícil. Por isso, precisamos trabalhar com um pouco mais de segurança”, complementou.
O pesquisador destacou ainda que a calagem está entre as primeiras etapas do preparo do solo. Isso porque o pH influencia diretamente a disponibilidade de nutrientes e o aproveitamento das plantas. Dessa forma, uma correção inadequada ou a ausência da prática pode comprometer as condições necessárias para o desenvolvimento da lavoura.
“A calagem e a correção do solo são a base de todo o processo produtivo. Uma das primeiras operações que precisamos realizar é justamente preparar e corrigir esse solo. O melhor momento para isso é no início, quando o produtor está convertendo uma área e já está realizando intervenções, como a limpeza do terreno. Essa correção é fundamental porque todas as etapas seguintes dependem das condições do solo. A dinâmica do potássio, a disponibilidade de cálcio e magnésio e até mesmo a disponibilidade de fósforo são influenciadas pelo pH do solo. O comportamento químico dos nutrientes é definido pelo pH da solução do solo. Por isso, precisamos elevar o pH até uma faixa adequada, que permita à planta aproveitar ao máximo cada nutriente”, destacou Somavilla.
Outro ponto abordado durante o episódio foi a correção do perfil do solo e a necessidade de revolvimento a partir de experimentos conduzidos no CTECNO Araguaia.
“Temos um ensaio de correção de perfil e, nos primeiros anos, não temos observado um efeito tão expressivo em relação a revolver ou não o solo. Mas é importante considerar que esse resultado se aplica a um cenário em que temos um solo mais restrito, com um perfil mais reduzido. Agora, em nível comercial, é importante buscar uma melhoria nas condições do perfil do solo. Precisamos focar, pelo menos, na camada de até 20 centímetros”, informou.
Ao falar sobre as recomendações de manejo, o pesquisador ressaltou que o revolvimento não deve ser adotado apenas com a finalidade de corrigir a acidez. A decisão precisa considerar as características de cada área e a existência de outros fatores que justifiquem a intervenção.
“Em termos de recomendação, eu não indicaria o revolvimento de um solo siltoso apenas com o objetivo de fazer essa correção. É preciso avaliar outras características do solo que possam justificar essa intervenção. Caso o revolvimento seja necessário por outros motivos, aí sim podemos aproveitar esse momento para realizar uma correção mais profunda. Mas, especificamente em relação à correção da acidez do solo, os resultados das pesquisas que temos mostram que não há uma diferença tão expressiva entre revolver ou não o solo”, recomendou.
O episódio integra o quadro Hora Técnica, do podcast Apro360, que leva informações e orientações técnicas aos produtores rurais sobre práticas de manejo e tecnologias que podem contribuir para a tomada de decisão e o desenvolvimento das atividades no campo. Assista ao episódio completo no Youtube ou Spotify da Aprosoja MT.

