Nem engolir sapo, nem atacar: saiba como encontrar o ponto de equilíbrio e não deixar a raiva falar mais alto.
Certas expressões, de tão comuns, se tornaram quase mantras do comportamento: “engolir sapo”, “não levar desaforo pra casa”, “dar o troco na lata”, “revidar na mesma moeda”. Elas traduzem diferentes formas de reagir diante do conflito e, muitas vezes, moldam a forma como nos comunicamos sem que a gente perceba.
Mas será que reagir sempre é a melhor escolha? E o que acontece quando, em vez de resolver uma situação incômoda, a nossa resposta impulsiva transforma um pequeno desentendimento em um grande desgaste emocional?
Parei para pensar sobre isso enquanto escutava no rádio uma mensagem que convidava o ouvinte a fazer uma reflexão sobre suas ações no cotidiano. “O grande desafio é deixar de reagir, escolhendo agir, o que gerará sempre melhores resultados, posto que é fruto do equilíbrio e da reflexão (…) Quando reagimos, revidando ofensas, agressões e descuidos alheios, passamos a sintonizar com quem as produziu”, dizia o locutor.
Quando alguém nos trata com grosseria, a vontade de revidar é quase automática. É o instinto de defesa agindo. Só que, ao reagirmos no calor da raiva, entramos em um jogo de ataque e contra-ataque que dificilmente termina bem. Um comentário atravessado, uma resposta ríspida… E pronto, está feito o estrago! O que poderia ser apenas um incômodo vira briga, conflito, mágoa.
É necessário perceber que existe outro caminho. Antes de responder, pare e respire. Dê a si mesmo alguns segundos para pensar: “O que quero realmente com essa resposta? Resolver o problema ou provar que tenho razão?” Essa pausa, tão simples e ao mesmo tempo tão poderosa, pode evitar que a comunicação se torne violenta.
Não se trata de “engolir sapos” eternamente ou de aceitar desrespeito. É preciso, sim, falar. A questão é escolher como reagir. É possível se posicionar com firmeza, sem agressividade. É possível discordar, sem humilhar. É possível dizer o que incomoda, sem ferir. E talvez esperar outro momento, sem o calor da emoção, seja mais prudente.
Da próxima vez que sentir vontade de “dar o troco”, experimente escolher o silêncio por alguns segundos. Ele pode expressar mais do que mil palavras ditas no impulso. A comunicação não-violenta começa dentro de nós, quando percebemos que não é fraqueza escolher a calma, é sabedoria.
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Este conteúdo reflete, apenas, a opinião do colunista Comunicação de primeira, e não configura o pensamento editorial do Primeira Página.

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