Dois policiais militares são investigados por suspeita de abuso contra uma adolescente de 16 anos na sexta-feira (27), em Peixoto de Azevedo (MT). Segundo a denúncia registrada pela Polícia Militar, a jovem foi abordada pelos suspeitos ao sair da escola. Ela informou que era menor de idade e pediu para ligar para a mãe, mas o pedido, segundo ela, foi negado.
Conforme o boletim de ocorrência, os policiais determinaram que ela continuasse conduzindo a motocicleta e disseram que, em determinado ponto, solicitariam que ela parasse.
Em um local escuro, a adolescente foi orientada a parar. De acordo com o boletim de ocorrência, um dos policiais desceu da viatura, segurou o braço da vítima à força e retirou a blusa dela. Durante o abuso, ele teria dito: “É isso que você merece”.
A vítima relatou que os atos duraram cerca de 20 minutos e que não houve conjunção carnal. Ela afirmou ainda que os policiais voltaram a negar o pedido de ligar para a mãe e demonstraram preocupação com a existência de câmeras de monitoramento no local.
Após o ocorrido, a adolescente foi liberada e, segundo a denúncia, ameaçada para que não contasse sobre o abuso a ninguém, sob ameaça de morte.
Ela também forneceu características físicas dos suspeitos e informou que eles utilizavam uma viatura de pequeno porte.
Em nota, a Corregedoria da Polícia Militar informou que instaurou procedimento administrativo para apurar os fatos e identificar os supostos militares envolvidos.
“A corporação também informa que, ao tomar conhecimento da denúncia, prestou suporte à vítima, encaminhando-a para o registro de boletim de ocorrência e para a realização de exame de corpo de delito. A PMMT reforça que não coaduna com qualquer tipo de crime cometido por seus integrantes”, diz trecho da nota.
Já a Polícia Civil informou que tomou conhecimento dos fatos, instaurou procedimento e tentou contato com a vítima, sendo informada de que ela já estava sendo atendida pela Polícia Militar de Matupá.
“A Polícia Civil certificou à unidade militar de Matupá que todas as providências cabíveis, como oitiva da vítima e exame de corpo de delito, já estavam sendo tomadas pela equipe da Polícia Militar. Mais detalhes não serão passados por se tratar de crime de natureza sexual, com o fim de preservar a intimidade da vítima. Por se tratar de crime militar, as investigações seguirão pela Polícia Militar”, informou.
Pedido de explicações
Procuradora da Mulher na Câmara dos Deputados, a deputada Coronel Fernanda (PL-MT) informou ter encaminhado ofícios ao governador Mauro Mendes e ao secretário de Segurança Pública, Cesar Roveri, para cobrar medidas urgentes em relação ao caso e pediu o afastamento imediato dos policiais. Ela destacou a necessidade de atuação rígida, considerando os índices alarmantes de violência contra a mulher no estado.
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