O Ser Humano é um Ser de alta complexidade, compreendê-lo não é uma tarefa fácil, parece fugir do seu próprio conceito de humano, por suas ações contrárias, quando – e não tão raro – assume comportamento desumano. Chega-se a dizer que o Homem, no sentido de Ser Humano – foi um Ser criado por Deus, que não deu certo.
Mas, será que é por aí? Claro que não. Ninguém é perfeito, mas a imperfeição de caráter, felizmente é de poucos, poucos que são demais, porque o ideal seria que não existisse nenhum. Muitos desses defeitos mostram-se desde a infância, expressam-se com ar de naturalidade; outros disfarçam-se com máscaras de bondade, aguardando o momento certo de tirá-las e mostrar seu verdadeiro eu. O eu verdadeiro espera o momento certo para pôr em prática seu desejo destrutivo, sempre com uso de algum tipo de violência.
A guerra entre os homens existe desde o início das civilizações, é um momento em que o ato de matar é aceito legalmente, o que facilita a ação dessas personalidades. É óbvio que muitos entram na guerra, porque não há condições de deixar de fazê-lo; outros não, são voluntários, até mesmo a serviço de pátrias que não são a sua, pelo simples fato de ter à mão a possibilidade de descarregar sua ira, melhor ainda, legalmente.
O homem é um animal racional porque raciocina e o raciocínio humano vem modificando as guerras, desde as eras primitivas, no tocante ao seu arsenal bélico. Substituímos machados de pedra, lanças e flechas por armas de fogo cada vez mais poderosas e mais letais. Mísseis cruzam os céus e alcançam alvos a milhares de quilômetros; máquinas voadoras, tripuladas à distância, carregam explosivos que têm destino certo. Não se ouve mais falar de luta homem a homem; não há mais aquele que mata e aquele que morre; são grupos exterminados, ruas inteiras, cidades totalmente destruídas.
Quanto aos motivos, estes permanecem os mesmos com alguns acréscimos inerentes à própria evolução, tudo gira em torno do poder, seja ele econômico ou militar. Para isso, há necessidade de terra, espaço, riqueza, itens que às vezes estão em outras plagas e que por isso passam a ser objeto de desejo de nações poderosas. O motivo pouco se modificou ao longo dos séculos, a mudança maior foi na riqueza e no poder de fogo de algumas nações, que submetem as menos favorecidas aos seus caprichos e, muitas vezes, as aniquilam, quando julgam necessário.
Hoje a guerra não escolhe o adversário, ela o encontra na multidão, destrói-se dezenas, centenas ou milhares para ter como troféu a cabeça de um, apenas um. Líderes que ordenam violências dessa ordem dizem que querem apenas destruir o outro, um possível ditador, mas sem qualquer preocupação com o povo do outro. As vítimas fatais são vistas como pessoas, que simplesmente estavam no lugar errado, no momento errado. O importante é contabilizar as baixas: “foram tantos mortos, incluindo seu líder maior”. Pouco importam suas identidades, se homens ou mulheres; crianças, jovens ou idosos; brancos ou negros; o importante é o número de baixas.
A sociedade mundial assiste a tudo, sem forças de reação. Poucos comemoram e concordam com isso, mas a maioria pergunta por que chegamos a esse ponto? Por que há tanta maldade no mundo? Nós sabemos o motivo. Há maldade no mundo porque existem pessoas más, que almejam riqueza e poder.
E como fica a saúde mental das pessoas boas, aquelas que sofrem com isso, que se colocam empaticamente no lugar das que correm riscos ou que perderam entes queridos? Sem sombra de dúvida o prejuízo é tamanho ao emocional de muita gente, que inúmeros indivíduos temem que o mal nos alcance, tentam ignorá-lo, preferem ficar alheios às notícias, escolhem fugir da dura realidade, repleta de violência, que ronda nossas vidas. Na próxima semana falaremos sobre o impacto das guerras na nossa saúde mental.


