Sinop e Colíder
Flagrante raro foi registrado na área conservação ambiental de influência de duas das hidrelétricas
Publicado em
9 de março de 2026
Por
Esther Obriem – Assessora AXIA Energia
GERAL
Foto: Divulgação AXIA Energia
Equipes da AXIA Energia registraram mãe e filhote de zogue-zogue-de-mato-grosso (Plecturocebus grovesi) na margem esquerda do Rio Teles Pires, entre as áreas de influência das usinas hidrelétricas Colíder e Sinop, no norte de Mato Grosso. A presença dos primatas é um ponto positivo em relação as ações de conservação ambiental conduzidas pelas hidrelétricas nas áreas de responsabilidade dos empreendimentos.
A espécie é endêmica do Mato Grosso, foi descrita oficialmente em 2019 e recebeu o nome “grovesi” em homenagem ao primatólogo britânico Colin Groves, referência mundial na identificação, nomeação e classificação de primatas. Os dados obtidos pelo Programa de Monitoramento de Primatas da Usina Hidrelétrica Teles Pires, realizado entre 2012 e 2017, foram fundamentais para ajudar na descrição. Esse avanço científico é resultado de um esforço colaborativo entre diversas instituições nacionais e internacionais.
O flagrante feito por profissionais da equipe de Meio Ambiente da AXIA Energia é um marco relevante para a conservação regional e amplia o conhecimento sobre a biodiversidade amazônica.
Para o diretor de Licenciamento Ambiental e Condicionantes da Operação da AXIA, Jader Fernandes, o registro é um indicativo concreto do equilíbrio ecológico local. “A presença desses primatas demonstra a relevância da área onde estamos inseridos”, destaca.
Zogue-zogue
Adaptado à vida nas copas das árvores, o zogue-zogue-de-mato-grosso se movimenta com habilidade. A espécie apresenta barba alaranjada, é monogâmica e tem vocalização característica — um conjunto de sons específicos que ajuda a identificá-los.
Esses primatas vivem em grupos familiares e apresentam atividade predominantemente diurna, quando realizam interações sociais e buscam alimento. Com dieta baseada em frutas e folhas, o zogue-zogue-de-mato-grosso contribui para a dispersão de sementes e para a regeneração natural da floresta, desempenhando papel importante no equilíbrio ecológico e na diversidade do ecossistema.
Apesar de recentemente descrita, a espécie é categorizada como Criticamente Ameaçada (CR) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), devido à sua distribuição geográfica restrita e à crescente pressão sobre os habitats amazônicos. O zogue-zogue-de-mato-grosso foi incluído na Lista Vermelha da IUCN como um dos primatas mais ameaçados do planeta.
GERAL
MPF obtém bloqueio de R$ 11,3 mi em bens de processados por exploração ilegal de minério em terra indígena no MT
Publicados
9 horas atrás
em
9 de março de 2026
O Ministério Público Federal (MPF) obteve decisão liminar para o bloqueio de R$11,3 milhões em bens de cinco envolvidos em mineração ilegal na Terra Indígena (TI) Sete de Setembro, no Mato Grosso. O esquema foi revelado durante a Operação Olhos Fechados, deflagrada em maio de 2025, que resultou, inclusive, na prisão preventiva dos envolvidos. A medida deferida pela Justiça Federal busca garantir a futura reparação de danos ambientais causados na área protegida, localizada no município de Rondolândia (MT).
Todos os cinco envolvidos já respondem também a uma ação penal pelos crimes cometidos, proposta pelo MPF. Trata-se dos principais líderes do esquema. A ação civil busca obter indenização pelos danos causados. Ela utiliza provas produzidas durante o inquérito policial que culminou na ação penal, bem como em inquérito civil, instaurado pelo MPF.
Agentes de fiscalização identificaram acampamentos e motores de grande porte empregados na extração mineral. A estrutura contava com suporte logístico, como acampamentos, para manter as atividades ilícitas de forma prolongada na floresta nativa. No curso das investigações, foi constatada a existência de uma estrutura organizada para a realização do garimpo clandestino, com duas frentes de exploração irregular no local, uma voltada à extração de diamantes e outra à extração de ouro.
De acordo com o MPF, dos cinco envolvidos, quatro eram indígenas e ocupavam posições de liderança e gestão em suas comunidades, autorizando a entrada de garimpeiros não indígenas no território. O acesso era liberado mediante o pagamento de até 20% dos minérios obtidos ilegalmente. Um dos indígenas, inclusive, é apontado como o comandante dos garimpeiros e responsável por ameaçar membros da comunidade que tentavam combater as atividades ilegais na reserva.
Dano causado
Segundo laudo da PF, a degradação teve início em junho de 2022 e persistia até o ajuizamento das ações do MPF, em 2025. Durante este período, foi calculado um desmatamento de 27,29 hectares de floresta nativa do bioma Amazônia. De acordo com o MPF, a exploração clandestina gerou impactos severos à biodiversidade local e aos modos de vida tradicionais. O dano ambiental mínimo foi estimado em R$11,3 milhões, valor requerido pelo MPF como indenização, a ser pago de forma solidária pelos réus ao fim do processo.


