O Agro de Primeira MT desta semana foca na comercialização de commodities. O palestrante e consultor Ismael Menezes fala sobre o cenário atual de grãos e dá dicas de como aproveitar o melhor momento e ganhar mais dinheiro com a venda de soja e milho.
Segundo ele, existem muitas variáveis que determinam as negociações de preço das commodities: câmbio, clima, bolsa de Chicago, interferência política. E é preciso estudar para errar menos.
“Tem um universo de alternativas que o produtor pode lançar mão, mas ele precisa conhecer as ferramentas. Não adianta tentar trocar um pneu com chave de fenda. É preciso saber que tem de se usar uma chave de roda”, afirma o sócio-proprietário da MD Commodities.
Ele também diz que o produtor é um Pelé no quesito de entregar o melhor grão para o mercado. Mas ainda peca muito na hora de negociar o produto o que, segundo Menezes, faz com que “muito dinheiro fique na mesa”.
O consultor trabalha há 20 anos no ramo do agronegócio. E usa a rede social para descomplicar as questões do mercado de commodities.
Formado em administração de empresas , fez estágio numa multinacional de defensivos agrícolas, saiu da área de venda e foi para área de barter (troca de bens ou serviços sem uso de dinheiro — cada parte oferece algo de valor em troca do que precisa) e não parou mais de estudar commodities.
Cita que os produtores precisam ter foco, disciplina e capacitação para se dar bem nos mercados.
Assim, aprendem a aproveitar as melhores oportunidades e não deixam de seguir a estratégia traçada em detrimento de momentos que não vão se sustentar.
Commodities
Sobre o milho, Menezes avalia que há um estoque de passagem muito alto em Mato Grosso, com cerca de 25 milhões de toneladas. Porém, o estado não tem problema com isso porque o mercado interno absorve grande parte da safra na produção de etanol.
Para a safrinha de 2026, diz que o preço vai depender muito do câmbio. Com eleições no ano que vem, pode ser que haja variação na cotação do dólar.
“Fizemos uma avaliação em Lucas do Rio Verde agora. E chegamos a R$ 46 a saca para exportação. Mas o mercado interno estava pagando R$ 50,00. Então vai depender muito da apetite do mercado interno também. Mas acreditamos que os valores serão de neutro a favorável ao produtor”, avalia.
Soja
Já para a soja, ele defende que o cenário é de um voo cego e que os produtores precisam aproveitar as oportunidades de alta que surgirem.
“O preço da soja é definido por paridade com a exportação. O fiel da balança será os Estados Unidos”, diz.
Os norte-americanos fizeram um acordo com a China para a venda de 12 milhões de toneladas do grão. Isso levou a um movimento de alta que, segundo o consultor, causou estranheza.
“O departamento de agricultura dos Estados Unidos não vem divulgando os relatórios sobre a safra, então, estamos no voo cego. O que sabemos é que os norte-americanos colheram 90% da safra e o que as exportações para a China estão 10, 12 milhões abaixo do ano anterior. Se vão comprar 12 milhões agora, isso seria um zero a zero, não há justificativa para a alta, pelo contrário, deveria ser um movimento de baixa”, analisa.
Para o consultor, o mercado está num movimento de alta sob a percepção da bolsa de Chicago nos últimos dias, mas os prêmios de exportação vêm caindo.
Com isso, se o clima for favorável e se houver o retorno das publicações semanais pelo departamento de agricultura dos Estados Unidos, talvez o mercado possa olhar e ver um potencial muito grande na América do Sul.
“O Brasil pode ter uma safra acima de 180 milhões de toneladas. Como a China não está comprando de forma tão acentuada, isso pode vir ao mercado e influenciar o preço. Por isso, faça gestão de risco e aproveita movimentos de alta”, finaliza.
Brasil
Ismael Menezes ressalta o protagonismo do Brasil nas commodities do agro e defende que o país não precisa buscar a industrialização a qualquer custo em detrimento de continuar a exportar os grãos in natura.
“Morei na Argentina dois anos e lá tem muita indústria de farelo e de óleo e, mesmo assim, o Brasil é mais protagonista que a Argentina no mundo”, justifica.
Para ele, a forma como o Brasil lida com o agro traz muitas oportunidades na logística, na produção e em outros setores ligados ao campo.
“Outros setores precisam entender que o Brasil é o protagonista mundial no agro. O mundo olha com respeito tudo o que o Brasil faz nessa atividade. E eu vejo ainda um horizonte gigantesco para mais 50, 80, 100 anos de protagonismo.”


