Dólares e aeronave apreendida
Publicado em
4 de março de 2026
GERAL
A empresa Imaculada Agronegócios do setor agropecuário suspeita de aplicar golpes milionários contra produtores rurais na região oeste de Mato Grosso, foi alvo da Operação Agro-Fantasma, na manhã desta quarta-feira (4). Ao todo, são cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, além de bloqueio de contas bancárias e indisponibilidade de bens móveis e imóveis dos investigados.
As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cáceres, com base em investigações conduzidas pela Delegacia de Comodoro.
As diligências ocorrem em Cuiabá, Alto Taquari (482 km de Cuiabá) e Campo Grande (MS).
Como o esquema funcionava
Segundo a apuração, a empresa se apresentava ao mercado com aparência de solidez e credibilidade, mas operava um esquema estruturado de fraudes na compra de grãos.
Os proprietários convenciam produtores rurais a permitir que compras a prazo fossem feitas em nome de suas propriedades. A empresa adquiria os grãos, revendia à vista para indústrias e se comprometia a quitar posteriormente os valores negociados a prazo.
Nos primeiros meses, os pagamentos eram realizados regularmente, o que fortalecia a confiança das vítimas. Com o tempo, porém, o grupo deixava de honrar os compromissos financeiros, transferindo o prejuízo aos produtores.
Em um dos casos investigados, a inadimplência ultrapassa R$ 58 milhões.
Vida de luxo e bens bloqueados
Além do estelionato e da associação criminosa, o grupo é investigado por suspeita de fraude fiscal e recebimento de créditos indevidos.
Entre os bens atingidos pelas medidas judiciais está uma aeronave avaliada em mais de R$ 5,8 milhões. Também foram alvo de sequestro veículos de alto padrão, como Porsche e Dodge Ram, além de imóvel em condomínio de luxo.
A operação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil para 2026, dentro da Operação Pharus, vinculada ao Programa Tolerância Zero de combate à criminalidade no Estado.
A reportagem do site Única News entrou em contato com o advogado da empresa, mas até o momento não obteve resposta. O site segue aberto.
GERAL
JBS firma acordo e pagará R$ 11,7 milhões por funcionários trabalharem 16h por dia em MT
Publicados
1 hora atrás
em
4 de março de 2026
A JBS, multinacional do setor de alimentos e dona das marcas Friboi e Seara, firmou acordo judicial com o Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) e pagará R$ 10 milhões em multas por descumprir um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) que limitava a jornada de trabalho dos(as) funcionários(as) da unidade de Diamantino (a 183 km de Cuiabá).
Além dessa quantia, a empresa pagará uma multa de cerca de R$ 1,7 milhão, aplicada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), por interpor recurso considerado protelatório, com o objetivo de atrasar o andamento do processo.
A Ação de Execução de TAC (ExTAC) foi ajuizada pelo MPT em 2016. Após sucessivos recursos, o processo retornou à Vara do Trabalho de Diamantino, onde, em 25 de fevereiro, a juíza do Trabalho Rafaela Barros Gontijo Pantarotto homologou a conciliação. O acordo foi negociado pelo procurador do Trabalho Állysson Feitosa Torquato Scorsafava.
O MPT constatou o descumprimento do TAC por meio da avaliação de controles de frequência dos(as) empregados(as) e de relatório de ação fiscal realizada pela Superintendência Regional do Trabalho em Mato Grosso (SRTE-MT) na unidade, em 2015.
Jornadas de 16 horas por dia
Analisados os registros da planta de Diamantino, tanto aqueles fornecidos diretamente ao MPT pela JBS como aqueles trazidos pela SRTE-MT, relativos ao período de janeiro de 2013 a agosto de 2015, foram constatados 30.455 episódios de prorrogação de jornada para além de 10 horas diárias, espalhados por 922 dias diferentes e prejudicando 260 empregados(as) distintos(as).
Na época do ajuizamento da ação, o MPT destacou que, em diversos casos, as prorrogações identificadas eram muito excessivas, representando grave afronta à dignidade do(a) trabalhador(a), notadamente em se tratando de atividade laboral em frigorífico, de conhecida intensidade.
“Em alguns exemplos apurados, há jornadas de trabalho superiores a 16 horas por dia, exigidas por empresa que, além de obrigada à observância dos limites do art. 59 da CLT, comprometeu-se voluntariamente perante o MPT [por meio do TAC] a adequar sua conduta e observar os limites legais da jornada, sob pena de uma multa específica.”


