Órgão que coordena as relações comerciais norte-americanas apura supostos abusos do Brasil em relação aos Estados Unidos.
A comissão temporária de senadores que foi aos Estados Unidos, em julho, para tentar negociar a taxação imposta pelos Estados Unidos ao Brasil anunciou, nesta terça-feira, um plano de trabalho para acompanhar as investigações abertas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) contra o país.
O USTR, é o órgão que coordena a política comercial internacional dos EUA e, a partir de amanhã, começa a apreciar supostas práticas irregulares do Brasil em diversas áreas.
Dentre elas, acusações de que:
- o pix é uma forma desleal em comparação aos serviços de pagamento norte-americanos, como as bandeiras de cartões de crédito,
- o Supremo Tribunal Federal (STF) pratica censura contra redes sociais dominadas por big techs também da América do Norte,
- há desvantagem do país na relação comercial com o Brasil.
Como represália a essas queixas e ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, o governo do presidente Donald Trump impôs taxas de até 50% sobre alguns produtos brasileiros, incluindo a carne.
“Por isso, é essencial que tenhamos uma participação ativa e coordenada neste processo. Precisamos negociar sempre e encontrar boas alternativas para nossas exportações”, disse a senadora em suas redes sociais após o anúncio da estratégia do grupo de trabalho.
A audiência vai ouvir representantes dos ministérios das Relações Exteriores; da Agricultura e Pecuária; e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço, das confederações nacionais da indústria e da agropecuária; da câmara americana de comércio para o Brasil e economistas.
O objetivo desse acompanhamento é atender a orientações de empresários de parlamentares norte-americanos que disseram para os senadores, durante à caravana para os EUA, ser necessária uma participação brasileira ativa e coordenada durante o processo da USTR.
A senadora, ao requerer a audiência pública, justificou que “será uma oportunidade para se obter, de autoridades brasileiras, representantes do setor privado dos dois países e especialistas, atualizações sobre o andamento do processo da Seção 301 e da defesa dos interesses pátrios potencialmente afetados, além de debater, no âmbito da comissão, possíveis ações complementares para salvaguardar o comércio, o sistema financeiro e a economia nacionais”.
A comissão também vai acompanhar a aplicação do Plano Brasil Soberano, do Governo Federal, que concede cerca de R$ 60 bilhões de reais em linhas de crédito para reduzir o prejuízo às áreas econômicas atingidas pela tarifaço.
Os trabalhos da comissão devem ser concluídos em 1º de outubro com a entrega de um relatório final.


